
Resposta direta: analisamos 4 modelos neste guia e a nossa escolha é Absolute Quadro Prime SL3 Carbono Aro 29 Boost UDH, a R$ 5.500,00 na última verificação. Preços verificados em 9 de outubro de 2026.
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Preços verificados em 9 de outubro de 2026 · como apuramos este guia
Atenção ao que este review checou e ao que não checou. As medidas de geometria vêm da tabela oficial publicada pela Absolute para o Prime SL (a marca declara que o SL3 mantém a geometria do SL2), e as do Specialized Epic Hardtail e do Scott Scale 930 vêm das tabelas publicadas pelos fabricantes. Os cálculos de trail, de recuo de selim e de tempo de subida são nossos, com as premissas declaradas no texto. Sobre preço: abrimos os quatro anúncios no Mercado Livre em 25 de setembro de 2026 e cada botão leva ao anúncio exato que conferimos, não a uma busca. Preço de quadro muda por tamanho, por cor e por vendedor, então confirme na página antes de fechar. Um aviso que nos custa dinheiro e a gente dá assim mesmo: o quadro Rava é o único card sem link de afiliado aqui, porque o Programa do Mercado Livre não aceita aquele anúncio. Preferimos mandar você ao produto certo sem ganhar nada do que mandar a uma lista de busca só para receber comissão. Peso de quadro é sempre o declarado pelo fabricante, sem medição independente nossa.
Um leitor mandou a foto de um quadro Absolute Prime SL3 no WhatsApp com uma pergunta de uma linha: "esse quadro é comparado a qual quadro de marca conhecida?". A resposta honesta não estava em nenhum review, então fomos atrás da tabela de geometria oficial e medimos.
Resposta curta para quem quer decidir agora. O Prime SL3 não é cópia de ninguém, e a Absolute declara molde exclusivo na ficha técnica. Só que a geometria publicada dele é, número a número, a do Specialized Epic Hardtail: mesmo comprimento de tubo de selim nos três tamanhos (400, 430 e 470 mm), mesmo tubo de direção (95, 95 e 110 mm), mesmo ângulo de selim (74°) e reach dentro de 1 mm em S, M e L. As diferenças reais são duas: a traseira do Absolute é 5 mm mais longa (435 contra 430 mm) e a caixa de direção é meio grau mais deitada (68° contra 68,5°).
O que isso vale na prática, e o que não vale, é o resto deste review. Adiantando a parte que ninguém escreve: os 400 g a mais de quadro que separam o Prime de um carbono top de linha custam cerca de 19 segundos a cada 1.000 metros de altimetria para um ciclista de 230 W, e cerca de 2 segundos numa volta de XCO. O pneu que você escolher muda treze vezes mais que isso. A conta inteira, com as premissas na mesa, está mais abaixo.
Este review trata do quadro vendido separado, em carbono Toray T700, com gancheira UDH e movimento central de rosca. Se você procura a bike montada, a Prime SL3 Elite usa o mesmo quadro e também está aqui.
Comparativo: quadro de carbono
#1
#2
#3
#4As 4 opções de quadro de carbono, uma a uma
Quadro Prime SL3 Carbono Aro 29 Boost UDH
O objeto deste review. Carbono Toray T700, 1,2 kg declarados, gancheira UDH, movimento central de rosca BSA, Boost 12x148 com eixo incluso e canote de 31,6 mm com passagem interna para dropper. A geometria é a mesma da geração SL2: 68° de caixa, 74° de selim, reach de 404,5 / 429,7 / 455,2 mm em S, M e L.
É, medida a medida, a tabela do Specialized Epic Hardtail, com traseira 5 mm mais longa e caixa meio grau mais deitada. Na prática: estável, previsível e fácil de acertar no bike fit, com o preço de não ser tão comprido e deitado quanto o XC de 2026.
O ponto forte real não é o carbono, é o conjunto de padrões: BSA em vez de press-fit (a primeira geração tinha press-fit e rangia), UDH em vez de gancheira proprietária e passagem para dropper. É o que faz o quadro sobreviver a duas ou três trocas de peça sem virar problema de compatibilidade.
Pontos fortes
- Geometria idêntica à do Epic Hardtail nos três tamanhos, dentro de 1 mm
- Movimento central de rosca BSA, sem o rangido do press-fit
- Gancheira UDH: reposição em qualquer loja e caminho aberto para SRAM Transmission
- Canote de 31,6 mm com passagem interna para dropper
Pontos de atenção
- Só três tamanhos, com salto de 25 mm de reach entre eles
- Ângulo de selim de 74° faz você sentar cerca de 12 mm mais atrás que num XC moderno
- 1,2 kg é peso declarado pela marca, sem medição independente
- Revenda de carbono nacional é mais lenta que a de marca grande
| Material | Fibra de carbono Toray T700 |
| Peso do quadro | 1,2 kg (divulgado pela marca) |
| Geometria | 68° caixa de direção, 74° tubo do selim |
| Reach (S/M/L) | 404,5 / 429,7 / 455,2 mm |
| Traseira | 435 mm (chainstay) |
| Movimento central | Rosca BSA |
| Gancheira | UDH (padrão universal SRAM) |
| Eixo traseiro | Boost 12x148 mm, incluso |
| Caixa de direção | Tapered integrada 42/52 mm |
| Canote | 31,6 mm com passagem interna para dropper |
| Coroa máxima | 38 dentes (chainline 52 mm) |
| Freio | Post mount, rotor 160 mm |
| Tamanhos | S, M e L |
Quadro Rage Carbon Aro 29 Boost
O rival direto no Brasil, e a comparação que mais aparece em vídeo de canal: Rava Rage Carbon contra Absolute Prime SL. Também é Toray T700, também é Boost 12x148, também tem caixa integrada 42/52 e canote de 31,6 mm.
Duas diferenças pesam na decisão. A primeira é o peso declarado, que não bate entre as fontes: lojas anunciam 1,2 kg e a ficha de catálogo do Mercado Livre fala em 1,357 kg. Peça o peso por escrito antes de fechar. A segunda é a gancheira: as fichas que conferimos não declaram UDH, e isso é justamente o que o SL3 ganhou de novo.
E aqui entra o dado que muda a conversa: no dia em que conferimos, o Rage Carbon estava R$ 3.100 contra R$ 5.699 do Prime SL3. São R$ 2.599 de diferença, quase metade do preço, pelo mesmo tipo de fibra e pelo mesmo padrão Boost.
Então a escolha honesta é essa: se o orçamento manda, o Rava é a entrada mais barata no carbono aro 29 que a gente encontrou. Se você quer gancheira UDH, peso declarado sem divergência entre fontes e uma rede de garantia maior, o Prime SL3 cobra R$ 2.600 a mais por isso. Não existe resposta única, existe o que pesa mais pra você.
Pontos fortes
- Mesma fibra declarada (Toray T700) e mesmo padrão Boost 12x148
- Canote de 31,6 mm e caixa integrada 42/52, como o concorrente
- Rede de revenda Rava ampla no interior
Pontos de atenção
- Peso declarado diverge entre fontes: 1,2 kg em loja e 1,357 kg na ficha do Mercado Livre
- As fichas públicas não declaram gancheira UDH
- Limite de ciclista de 100 kg declarado em ficha
- Garantia de 1 ano na fibra declarada em ficha
| Material | Fibra de carbono Toray T700 |
| Peso do quadro | 1,2 kg em loja; 1,357 kg na ficha do Mercado Livre |
| Eixo traseiro | Boost 12x148 mm |
| Caixa de direção | Integrada 42/52 mm |
| Canote | 31,6 mm |
| Peso máximo do ciclista | 100 kg (declarado em ficha) |
| Garantia | 1 ano na fibra de carbono (declarada em ficha) |
Quadro Evo Quest Carbono Aro 29 Boost UDH

O terceiro carbono nacional dessa disputa, e o mais caro dos três. Também tem gancheira UDH e padrão Boost, e a TSW declara 1.295 g no quadro, quase 100 g acima do número da Absolute.
A diferença que mais importa está no movimento central: o Evo Quest é press-fit, e vem com um BB Shimano BB-MT500-PA de 41 mm instalado. Press-fit não é defeito de fábrica, mas é o encaixe que range quando a tolerância não é perfeita, e foi exatamente por isso que a Absolute abandonou o press-fit na segunda geração do Prime SL. Quem já teve bike rangendo sabe o tamanho do incômodo.
Entra na lista porque a marca tem revenda forte e porque quem procura quadro de carbono nacional vai esbarrar nele. Pelo preço pedido, exige gostar da proposta.
Pontos fortes
- Gancheira UDH, como o Prime SL3
- Vem com movimento central Shimano BB-MT500-PA instalado
- Revenda TSW presente em todo o país
Pontos de atenção
- Movimento central press-fit, justamente o que a concorrência abandonou
- 1.295 g declarados, cerca de 100 g acima do Prime SL3
- Preço de ficha mais alto que o dos dois concorrentes diretos
| Material | Fibra de carbono |
| Peso do quadro | 1.295 g (divulgado) |
| Movimento central | Press-fit 41 mm (acompanha BB Shimano BB-MT500-PA) |
| Gancheira | UDH |
| Eixo traseiro | Boost 12x148 mm |
| Caixa de direção | Tapered |
Bicicleta Prime SL3 Elite Carbono Aro 29 12v Deore
O mesmo quadro deste review, já montado, para quem não vai aproveitar peça nenhuma. A montagem Elite usa transmissão Shimano Deore 12v e, no dia em que conferimos, estava entre R$ 8.490 e R$ 8.990 na mesma loja, variando por tamanho.
A conta é simples: se você fosse montar o quadro do zero (garfo a ar, rodas Boost, grupo 12v, freios e cockpit), dificilmente escaparia dessa faixa comprando peça a peça, e ainda teria o trabalho da montagem. A bike pronta ganha de lavada nesse cenário.
A ressalva é a de sempre com montagem de loja: confira a ficha do anúncio item por item, porque o mesmo nome aparece com grupos diferentes. E lembre que o Deore não é T-Type: o UDH está lá, mas a montagem de fábrica não usa o direct-mount.
Pontos fortes
- Mesmo quadro, mesma geometria, sem trabalho de montagem
- Transmissão Shimano Deore 12v de fábrica
- Sai mais barato que montar o quadro peça a peça comprando tudo novo
Pontos de atenção
- A mesma denominação aparece com montagens diferentes entre lojas
- Não aproveita nada do que você já tem
- O Deore não usa o direct-mount que o UDH permite
| Quadro | Absolute Prime SL3, carbono Toray T700, UDH, BSA |
| Transmissão | Shimano Deore 12 velocidades |
| Aro | 29 |
| Eixo traseiro | Boost 12x148 mm |
Como escolher quadro de carbono
O que cada número da tabela faz na sua pedalada
Geometria não é esoterismo. Cada medida tem um efeito que você sente em um trecho específico da trilha:
- Ângulo da caixa de direção: quanto mais deitado (número menor), mais estável em velocidade e descida, e mais preguiçoso na curva fechada lenta. Ele age através do trail, que é o quanto o ponto de contato do pneu fica atrás do eixo de direção.
- Ângulo do tubo do selim: define o quanto você senta atrás do movimento central. Mais em pé (número maior) joga o quadril para frente e ajuda na subida íngreme.
- Reach: a distância horizontal do movimento central até o topo da caixa de direção. É a medida que de fato diz se a bike é grande ou pequena para você, muito mais que o velho "tamanho 17".
- Stack: a altura dessa mesma referência. Stack alto deixa o guidão mais alto sem precisar de espaçador.
- Traseira (chainstay): curta ergue a roda dianteira com facilidade e gira mais rápido; longa mantém a dianteira no chão na subida.
- Entre-eixos: a soma de tudo. Maior estabiliza, menor deixa ágil.
- Offset do movimento central (BB drop): quanto o eixo do pedivela fica abaixo dos eixos das rodas. Mais drop abaixa o centro de gravidade e aumenta a sensação de "estar dentro" da bike.
A geometria oficial do Prime SL, tamanho por tamanho
Esta é a tabela que a Absolute publica, medida com garfo de 100 mm. A geração SL3 manteve a mesma geometria da SL2, segundo a própria marca; o que mudou foi o carbono (de Toray 24T para T700), a gancheira (agora UDH) e a coroa máxima (agora 38 dentes com chainline de 52 mm).
| Medida | S | M | L |
|---|---|---|---|
| Ângulo da caixa de direção | 68° | 68° | 68° |
| Ângulo do tubo do selim | 74° | 74° | 74° |
| Reach (alcance) | 404,5 mm | 429,7 mm | 455,2 mm |
| Stack (altura) | 606,7 mm | 606,7 mm | 620,6 mm |
| Tubo superior horizontal | 578,5 mm | 603,9 mm | 633,5 mm |
| Tubo do selim | 400 mm | 430 mm | 470 mm |
| Tubo de direção | 95 mm | 95 mm | 110 mm |
| Traseira (chainstay) | 435 mm | 435 mm | 435 mm |
| Entre-eixos | 1.101 mm | 1.126,1 mm | 1.157,2 mm |
| Offset do movimento central | 65 mm | 65 mm | 65 mm |
A mesma geometria já existia, e ela se chama Epic Hardtail
Colocando lado a lado com o Specialized Epic Hardtail, tamanho M, a coincidência para de ser coincidência:
| Medida (tamanho M) | Absolute Prime SL3 | Specialized Epic Hardtail | Scott Scale 930 |
|---|---|---|---|
| Ângulo da caixa | 68° | 68,5° | 67,4° |
| Ângulo do selim | 74° | 74° | 75° |
| Reach | 429,7 mm | 430 mm | 443 mm |
| Stack | 606,7 mm | 608 mm | 605 mm |
| Tubo superior | 603,9 mm | 604 mm | — |
| Traseira | 435 mm | 430 mm | 425 mm |
| Entre-eixos | 1.126,1 mm | 1.115 mm | 1.138 mm |
| Offset do movimento central | 65 mm | 63 mm | — |
E não é só o M. Nos três tamanhos que a Absolute vende, o reach do Prime é 404,5 / 429,7 / 455,2 mm, contra 405 / 430 / 455 mm do Epic. O tubo do selim é 400 / 430 / 470 mm nos dois. O tubo de direção é 95 / 95 / 110 mm nos dois. O tubo superior bate dentro de meio milímetro. Cinco medidas independentes, três tamanhos, tudo dentro de um milímetro.
Isso precisa ser dito com cuidado, porque é fácil virar acusação: geometria igual não é molde igual, e muito menos quadro igual. Números de geometria não são patenteáveis e copiar uma receita que funciona é prática comum na indústria inteira. O que diferencia dois quadros com a mesma tabela é o que a tabela não mostra: a fibra usada, a laminação, a rigidez de cada região, o peso, o acabamento das roscas e a garantia. A Absolute declara molde exclusivo e carbono Toray T700, e não encontramos nenhuma evidência de molde compartilhado com marca nenhuma.
O que dá para afirmar é o que interessa para quem vai comprar: se o Epic Hardtail te serve, este quadro te serve, no mesmo tamanho. E se você já pedala um Epic, a transição é sem susto.
Onde o Prime se afasta do Epic: traseira e caixa
As duas diferenças reais empurram para o mesmo lado, o da estabilidade.
Meio grau mais deitado na caixa, com garfo de offset 44 mm e pneu 29x2.25, dá 102,0 mm de trail no Prime contra 98,5 mm no Epic. São 3,5 mm a mais de "peso" na direção: um tiquinho mais calmo em descida rápida, um tiquinho mais lento para fechar curva de baixa velocidade. Com um garfo de offset 51 mm, os números caem para 94,5 e 90,9 mm, e a diferença entre os dois permanece.
A traseira de 435 mm contra 430 mm vai no mesmo sentido: mantém mais peso sobre a roda da frente em subida íngreme, e cobra um pouco mais de intenção para levantar a dianteira num degrau. Somadas, as duas diferenças explicam os 11 mm a mais de entre-eixos.
Traduzindo para quem vai correr: o Prime SL3 é meio ponto mais estável e meio ponto menos nervoso que o Epic Hardtail. Se o seu problema é errar linha em descida técnica, isso é a favor. Se é ziguezague apertado em raia de XCO, é levemente contra.
O Scale mostra para onde o XC foi depois
O Scott Scale 930 na tabela acima não está ali por acaso. Ele é a geometria da geração seguinte: caixa de 67,4°, selim de 75°, reach de 443 mm no M e traseira de 425 mm. Ou seja, mais comprido na frente, mais curto atrás e com o ciclista sentado mais adiante.
Isso quer dizer que o Prime SL3 está velho? Não, quer dizer que ele é conservador. A geometria dele é a do XC de corrida de alguns anos atrás, que é exatamente a geometria com que a maioria dos brasileiros pedala hoje, inclusive em prova. Ela é mais fácil de acertar no bike fit, mais previsível para quem vem de uma hardtail de alumínio e menos exigente de técnica de pilotagem. O preço disso é não acompanhar a moda de bikes mais longas e deitadas.
Que tamanho você pede
Pelo reach, não pela altura. Mas como quase ninguém tem o reach da bike anterior anotado, vale a referência prática, sempre com a ressalva de que tronco e braço mandam mais que altura:
| Tamanho | Reach | Tubo do selim | Altura de referência |
|---|---|---|---|
| S | 404,5 mm | 400 mm | 1,60 m a 1,72 m |
| M | 429,7 mm | 430 mm | 1,70 m a 1,80 m |
| L | 455,2 mm | 470 mm | 1,78 m a 1,90 m |
Duas observações que economizam dinheiro. A primeira: com só três tamanhos e 25 mm de salto entre eles, quem cai na fronteira decide pelo estilo, o menor para agilidade, o maior para estabilidade. A segunda: o tubo de selim curto (430 mm no M) e o canote de 31,6 mm com passagem interna abrem espaço real para um dropper, coisa que quadro de XC antigo não permitia.
Um detalhe de compra que atrapalha muita gente: no Mercado Livre cada tamanho do quadro é um anúncio de catálogo separado, com preço próprio. O botão aqui do lado leva ao anúncio do tamanho M; se o seu é S ou L, troque o tamanho na própria página antes de fechar, porque o valor muda de um para o outro.
O que o ângulo de selim de 74° custa: 12 mm de ajuste
Esta é a parte que o comprador de verdade sente, e que nenhum anúncio conta.
Com altura de selim de 700 mm medida no eixo do tubo, um ângulo de 74° deixa o selim 192,9 mm atrás do centro do movimento central. A 75°, como no Scale, são 181,2 mm. A diferença é de 11,8 mm, e a 76°, geometria de XC atual, chega a 23,6 mm.
Traduzindo: no Prime SL3 você senta cerca de um centímetro e meio mais atrás do que sentaria numa bike de XC moderna. Isso não te impede de chegar na posição que quiser, porque o trilho do selim tem entre 25 e 30 mm de curso de ajuste. Só que você vai gastar boa parte desse curso empurrando o selim para frente, e quem tem fêmur longo pode acabar no fim do trilho. Se você já pedala com o selim todo para frente hoje, esse é o ponto para checar antes de comprar.
Em compensação, para quem pedala sentado por horas em estradão e maratona, sentar um pouco mais atrás é mais confortável, não menos.
Quanto disso vira tempo, com as premissas na mesa
Aqui é onde a maioria dos reviews vira poesia. Vamos fazer a conta.
Premissas declaradas: ciclista de 75 kg, 1 kg de equipamento, bike montada de 11 kg, coeficiente de rolamento de 0,012 (pneu de MTB em piso firme), CdA de 0,50 m², ar a 1,15 kg/m³, 97,5% de eficiência de transmissão. Subida constante de 8%.
| Cenário | Base | +400 g | +1 kg | +1,5 kg |
|---|---|---|---|---|
| 230 W, subida de 2 km a 8% | 11min57 | +3,0 s | +7,6 s | +11,4 s |
| 280 W, subida de 2 km a 8% | 9min57 | +2,4 s | +6,1 s | +9,2 s |
| 280 W, volta de XCO de 5 km a 3% | 14min02 | +2,1 s | +5,2 s | +7,9 s |
| 230 W, 1.000 m de altimetria | 75 min | +19 s | +48 s | +71 s |
Agora o contraponto que muda a decisão. Na mesma volta de 5 km a 3% com 280 W, trocar o pneu por um de rolamento pior, de 0,012 para 0,0145, custa 27,5 segundos. Os 400 g de quadro custam 2,1 segundos. O pneu vale treze vezes mais que o quadro, e custa um décimo do preço.
A leitura correta desses números não é "peso não importa". É que peso de quadro importa onde a altimetria é grande: numa maratona de 1.500 m de ganho, meio quilo vira quase meio minuto, e aí o carbono se paga. Numa prova curta e plana, não vira quase nada.
O que a geometria não resolve
Três coisas que a tabela não mostra e que decidem a compra:
- Rigidez e durabilidade. Dois quadros com a mesma geometria podem ter laminações completamente diferentes. Aqui não existe número público, só uso. O peso declarado de 1,2 kg é da marca, não medido por nós.
- Limite de peso do ciclista. A bike completa Prime SL Carbon declara 100 kg de limite. Para o quadro vendido avulso, confirme por escrito com o vendedor antes de comprar se você estiver perto disso.
- Revenda. Carbono de marca nacional sai mais devagar no usado que Specialized, Scott ou Oggi. Se você troca de bike a cada dois anos, isso é parte do custo.
Perguntas frequentes sobre quadro de carbono
O quadro Absolute Prime SL3 é cópia de qual quadro?
De nenhum, até onde dá para verificar. A Absolute declara molde exclusivo na ficha técnica e carbono japonês Toray T700, e não existe evidência pública de molde compartilhado com outra marca. O que existe, e dá para conferir na tabela, é geometria idêntica à do Specialized Epic Hardtail: mesmo tubo de selim (400, 430 e 470 mm), mesmo tubo de direção (95, 95 e 110 mm), mesmo ângulo de selim (74°) e reach dentro de 1 mm nos três tamanhos. Copiar números de geometria é legal e comum na indústria. O que muda entre dois quadros com a mesma tabela é fibra, laminação, rigidez, peso e garantia, nada disso visível na geometria.
Qual a diferença do Prime SL2 para o SL3?
A geometria é a mesma, ponto. Mudaram três coisas: o carbono passou de Toray 24T para Toray T700; a gancheira convencional virou UDH, o padrão universal da SRAM, que gira para trás em vez de entortar quando a corrente enrosca e que você acha de reposição em qualquer loja; e a coroa máxima subiu para 38 dentes com chainline de 52 mm. O peso divulgado continua 1,2 kg. Se você compete e já quebrou gancheira em prova, o UDH sozinho justifica a diferença de preço. Se pedala fim de semana em trilha leve, um SL2 em promoção entrega a mesma pedalada.
O UDH do SL3 funciona com SRAM Transmission?
O quadro é compatível, mas atenção ao que isso significa. O padrão UDH é o pré-requisito para os câmbios SRAM T-Type, que dispensam a gancheira e se prendem direto no quadro. Só que a bike completa Prime SL3 Elite sai de fábrica com Shimano Deore, que usa a gancheira normal. Ou seja: comprando o quadro você ganha a resistência mecânica do UDH de imediato, e a possibilidade de montar Transmission depois. A rigidez extra do sistema direct-mount só aparece se você de fato comprar um câmbio SRAM T-Type.
Que tamanho de quadro Absolute Prime SL3 eu peço?
São três tamanhos, com 25 mm de reach entre eles: S (404,5 mm de reach, tubo de selim de 400 mm), M (429,7 mm e 430 mm) e L (455,2 mm e 470 mm). Como referência grosseira, S atende de 1,60 m a 1,72 m, M de 1,70 m a 1,80 m e L de 1,78 m a 1,90 m, sempre lembrando que tronco e comprimento de braço mandam mais que altura. Se você já pedala uma bike com a qual se dá bem, o atalho honesto é medir o reach dela e escolher o número mais próximo. Na dúvida entre dois, o menor fica mais ágil e o maior mais estável.
Compensa comprar o quadro ou a bike completa?
Depende de uma coisa só: se você já tem peças boas. Conferindo no Mercado Livre em 25 de setembro de 2026: o quadro sozinho estava R$ 5.699 e a Prime SL3 Elite montada com Deore, entre R$ 8.490 e R$ 8.990. Se você tem uma hardtail de alumínio com rodas, suspensão a ar e grupo 12v que valham o transplante, comprar só o quadro é o caminho mais barato para entrar no carbono com padrões modernos (Boost, BSA, UDH e passagem para dropper). Se você vai comprar tudo novo, a bike completa sai mais barata que montar peça a peça, e é o caminho de menos trabalho.
Os 1,2 kg do quadro são reais?
É o peso divulgado pela Absolute, e não temos medição própria. Vale a régua de sempre: peso de quadro costuma ser anunciado sem eixo, sem gancheira, sem abraçadeira e no menor tamanho, e a diferença entre o número do catálogo e a balança fica em torno de 5 a 10%. Para dimensionar, a Specialized anuncia menos de 800 g no quadro do Epic Hardtail S-Works, que custa várias vezes mais. E a conta de quanto essa diferença vale em segundos está na seção de tempo deste review: menos do que quase todo mundo imagina.
Veredito: qual comprar
O quadro Absolute Prime SL3 responde bem à pergunta que originou este review. Ele não é cópia de ninguém, mas está desenhado sobre a mesma tabela de geometria do Specialized Epic Hardtail, com a traseira 5 mm mais longa e a caixa meio grau mais deitada, o que o deixa um pouco mais estável e um pouco menos nervoso. Para o ciclista brasileiro que vem de uma hardtail de alumínio e quer carbono com padrões atuais, essa é uma geometria fácil de acertar, não uma geometria ultrapassada.
Compre o quadro se você já tem rodas, suspensão a ar e grupo 12v que valham o transplante: os R$ 5.699 que ele custava na nossa conferência compram carbono novo com Boost, movimento central de rosca, gancheira UDH e passagem para dropper. Compre a Prime SL3 Elite montada se for começar do zero. E fuja da ilusão de que os gramas do quadro definem sua prova: a conta deste review mostra 19 segundos por 1.000 metros de altimetria para 400 g, contra 27 segundos numa única volta por causa de pneu. Quadro é chassi, é escolha de anos. Pneu é escolha de semana, e é onde está o tempo.
Ver a nossa escolha: Quadro Prime SL3 Carbono Aro 29 Boost UDH →
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