
🏷️ Preços consultados em 20/07/2026 no Mercado Livre e em lojas especializadas de ciclismo, com reconferência em 06/08/2026 pela API oficial do Mercado Livre. Três faixas mudaram e foram corrigidas: o Absolute DXU-16 caiu para R$ 221,99 a R$ 254,79 em 2 anúncios, o par GTS M2 caiu para R$ 119,13 a R$ 199 em 8 anúncios, e o kit mecânico da GTS exigiu duas correções. A ficha de catálogo que este guia usava para ele não era do produto certo: era de um kit de reposição de cabo e pastilhas, a R$ 24,99, o que explica a distância entre o preço registrado e o real. A ficha correta, de pinça com disco de 160mm, estava sem anúncio ativo na mesma conferência. Por isso o valor mostrado ali é o dos kits mecânicos equivalentes que estavam à venda naquele momento, de R$ 31 a R$ 99,98, e não um preço da GTS. Este guia é uma análise técnica de fichas de fabricante (número de pistões, tipo de fluido, padrão de fixação e conteúdo declarado do kit) combinada com o padrão que se repete nas avaliações de compradores brasileiros. Não houve teste físico, instalação, medição de distância de frenagem nem qualquer ensaio dos produtos. Esta lista traz 6 conjuntos de freio porque foram os conjuntos completos de marca identificável que encontramos disponíveis no varejo online brasileiro: a maior parte do que aparece nas buscas por freio de bicicleta é peça avulsa ou produto sem procedência, e optamos por não completar a contagem com discos e pastilhas, que são item de upgrade e não conjunto de freio. Atenção redobrada a um detalhe de preço nesta categoria: a maioria dos anúncios de freio a disco é vendida por roda, não pelo par, e a bicicleta inteira precisa de duas unidades. Discos, adaptadores de pinça e pastilhas costumam ser vendidos à parte e nem sempre acompanham o kit. Confira o que está incluso e o valor atualizado no link antes de fechar a compra. · Preços verificados automaticamente em 24 de agosto de 2026
O BikeGear não tem vínculo comercial com as marcas analisadas: a análise é independente. Este guia tem links de afiliado: se você comprar por eles, o BikeGear recebe uma comissão sem custo extra pra você.Saiba como trabalhamos.
Resposta direta: analisamos 6 modelos neste guia e a nossa escolha é Shimano BR-MT200 Freio a Disco Hidráulico a Óleo, a R$ 550,00 na última verificação. Preços verificados em 24 de agosto de 2026.
Quase toda dúvida sobre freio de bicicleta no Brasil termina na mesma pergunta: vale a pena sair do mecânico e ir para o hidráulico? A resposta curta é sim, e por um motivo diferente do que a maioria das pessoas imagina. Não é força máxima. Um freio a disco mecânico bem regulado, com cabo novo e disco limpo, trava a roda. Travar a roda é o teto físico de qualquer freio, e todos chegam lá. O que muda é outra coisa: quanta força a sua mão precisa fazer, quão previsível é a resposta e se isso continua igual no quilômetro 30 de uma descida longa, com a mão cansada e o cabo já esquentado pelo atrito.
Antes da lista, um aviso sobre o mercado que vale mais que qualquer recomendação. Ao levantar o que existe hoje nos grandes marketplaces brasileiros, a conclusão é desconfortável: conjunto de freio completo, de marca com procedência, é item escasso. A esmagadora maioria dos resultados de busca por freio de bicicleta é peça avulsa (disco, pastilha, manete, cabo, mangueira, fluido), genérico sem marca identificável, ou bicicleta inteira que apenas menciona o freio no título do anúncio. Por isso esta lista tem 6 itens e não 10. Preferimos entregar poucos conjuntos verdadeiros a inflar a contagem com rotor e pastilha fingindo ser freio, que é exatamente o que a maior parte dos comparativos faz.
Resposta rápida: para a maioria dos ciclistas brasileiros, o BR-MT200 da Shimano é a compra certa. É o hidráulico de entrada da Shimano, vem pré-sangrado de fábrica e entrega quase tudo que um freio intermediário entrega. Quem desce serra de verdade ou pesa mais encontra no SRAM DB8 o salto real, com 4 pistões e projeto de gravidade. O Absolute DXU-16 é o melhor custo-benefício entre os kits hidráulicos nacionais, e o GTS M2 é o par hidráulico mais barato defensável. Para quem prefere não entrar no mundo do fluido, os kits mecânicos da Absolute e da GTS continuam sendo escolhas racionais, e não apenas escolhas baratas.
Como este guia foi feito: é uma análise técnica de gabinete. Não houve teste físico, nem instalação, nem medição de distância de frenagem. Cruzamos a ficha declarada pelos fabricantes (número de pistões, tipo de fluido, padrão de fixação, conteúdo do kit) com o padrão que se repete nas avaliações de compradores brasileiros e com o preço praticado no varejo em 20/07/2026, reconferido em 06/08/2026 nas fichas do Absolute DXU-16, do GTS M2 e do kit mecânico da GTS.
Um alerta antes de qualquer compra, e ele derruba muita gente: freio a disco só funciona se o quadro, o garfo e os cubos tiverem fixação para disco. Se o seu garfo não tem os furos de suporte da pinça e se o seu cubo não tem o flange de 6 parafusos ou o encaixe center lock, nenhum kit desta lista serve na sua bike, por mais barato que esteja. Confira isso primeiro, com a bicicleta na sua frente.
Comparativo: freio para bicicleta
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#6As 6 opções de freio para bicicleta, uma a uma

BR-MT200 Freio a Disco Hidráulico a Óleo
O MT200 é o produto que reorganizou o mercado brasileiro de freio. Ele é a linha de entrada absoluta do catálogo hidráulico da Shimano, abaixo do Altus e abaixo do Deore, e ainda assim entrega o essencial do que faz um hidráulico ser melhor: pinça de 2 pistões, fluido mineral, manete BL-MT200 e, o detalhe que mais importa para quem vai instalar em casa, sistema pré-sangrado de fábrica e lacrado. Você tira da caixa, parafusa, alinha a pinça e o freio funciona, sem kit de purga, sem seringa, sem fluido derramado no chão da garagem.
A diferença que ele entrega em relação a um mecânico não está na força de pico, e é aqui que quase todo comparativo erra. Os dois travam a roda. A diferença está em três lugares concretos. Primeiro, a modulação: o fluido é incompressível e transmite quase integralmente o que o dedo faz, então existe uma faixa larga entre "começou a frear" e "travou", e você consegue morar dentro dessa faixa. No mecânico, o cabo estica, a capa comprime e boa parte do curso do manete é gasta absorvendo folga antes de a pastilha encostar. Segundo, a constância: cabo acumula atrito, sujeira e água, e o freio que estava ótimo na saída fica pesado no fim do passeio. O hidráulico não muda de comportamento porque choveu ou porque o cabo passou por uma curva apertada do quadro. Terceiro, o autoajuste: os pistões avançam sozinhos conforme a pastilha desgasta, mantendo o ponto de pegada no mesmo lugar por meses. No mecânico você reajusta o cabo periodicamente, ou o manete vai encostando cada vez mais perto do guidão.
Para o ciclista brasileiro típico, que pedala urbano, faz trilha leve e desce ladeira de bairro, o MT200 já é o suficiente. A pergunta legítima é o que um Deore ou um MT400 entregam a mais, e a resposta honesta é: pouca coisa em força, bastante coisa em calor. Modelos intermediários trazem pastilha com aleta de refrigeração e rotores com núcleo de alumínio, que dissipam calor em descida longa e contínua. Se o seu uso é urbano ou trilha curta, você nunca vai chegar perto desse limite. Se você desce serra por vinte minutos seguidos com o freio arrastando, aí sim a diferença aparece, e ela aparece como perda de pegada por superaquecimento, não como falta de potência. Atenção crítica ao preço anunciado: a maioria dos anúncios de MT200 nesta faixa é por roda, uma pinça e um manete. A bicicleta inteira precisa de dois.
Pontos fortes
- Vem pré-sangrado e lacrado de fábrica, instala sem kit de purga e sem seringa
- Modulação muito superior à do mecânico, com faixa larga entre encostar e travar
- Pistões autoajustam conforme a pastilha desgasta, o ponto de pegada não muda
- Comportamento constante na chuva e no fim do pedal, sem o atrito acumulado do cabo
- Peças de reposição e assistência Shimano são as mais fáceis de achar no Brasil
Pontos de atenção
- O preço anunciado costuma ser por roda, a bicicleta inteira sai por praticamente o dobro
- Quando precisar de sangria, exige kit de purga e fluido mineral ou visita ao mecânico
- Sem aleta de refrigeração na pastilha, esquenta em descida longa e contínua
| Tipo | Freio a disco hidráulico (fluido mineral) |
| Pistões por pinça | 2 |
| Fluido | Óleo mineral Shimano, nunca DOT |
| Manete | BL-MT200 |
| Sangria | Vem pré-sangrado e lacrado de fábrica |
| Pastilha | Padrão resina B01S, compatibilidade ampla no varejo |
| Fixação da pinça | Post mount, adaptador conforme o disco |
| Discos compatíveis | 160mm e 180mm, conforme adaptador |
| Conteúdo típico do anúncio | Uma pinça e um manete, ou seja, uma roda |
| Uso indicado | Urbano, trilha leve e média, quem quer hidráulico sem complicação |
DB8 Kit Freio a Disco Hidráulico Preto
O DB8 é o freio desta lista que joga em outro campeonato, e vale entender exatamente por quê, porque não é pelo motivo que o preço sugere. Ele é a porta de entrada da SRAM no território de gravidade: pinça de 4 pistões, derivada da plataforma Code que a marca usa em enduro e downhill, com pastilha maior e corpo mais robusto que qualquer freio de 2 pistões desta faixa.
Quatro pistões não significam mais força de pico, e isso precisa ser dito num guia honesto. Significam área de contato maior e capacidade térmica maior. A pressão se distribui por uma pastilha bem mais larga, o que muda o comportamento em dois cenários específicos: descida longa e sustentada, em que o conjunto tem mais massa e mais superfície para absorver calor antes de saturar, e ciclista pesado ou bicicleta carregada, em que a energia a dissipar é simplesmente maior. Para quem desce serra de verdade, pedala com bagageiro cheio ou pesa acima da média, o DB8 resolve um problema que o MT200 não resolve. Para quem vai ao trabalho e faz trilha de fim de semana, ele é excesso caro.
O ponto de atenção que separa o DB8 de todo o resto desta lista é o fluido: ele usa DOT, e não óleo mineral. Isso tem três consequências práticas. Primeira, DOT é higroscópico, ou seja, absorve umidade do ar com o tempo, e umidade no circuito baixa o ponto de ebulição do fluido, então a sangria periódica deixa de ser opcional e vira manutenção de calendário. Segunda, DOT ataca pintura e é agressivo à pele, exigindo cuidado no manuseio. Terceira, e a mais importante: nunca, em hipótese alguma, misture DOT com sistema de óleo mineral, nem o contrário. Colocar o fluido errado destrói as vedações internas e inutiliza o freio, sem reversão. Some a isso o preço, que no Brasil costuma ser cobrado por roda e coloca o par bem acima de mil e quinhentos reais, e você tem um freio excelente que a maioria dos leitores deste guia não precisa comprar.
Pontos fortes
- Pinça de 4 pistões derivada da plataforma de gravidade da SRAM, área de pastilha bem maior
- Capacidade térmica muito superior, aguenta descida longa e sustentada sem perder pegada
- A melhor escolha da lista para ciclista pesado, bicicleta carregada ou enduro
- Corpo e ferragem mais robustos, projetados para uso agressivo
Pontos de atenção
- Usa fluido DOT, que absorve umidade e exige sangria periódica de calendário
- DOT ataca pintura e pele, e misturar com sistema de óleo mineral destrói o freio
- Preço bem acima do resto da lista e geralmente cobrado por roda, não pelo par
| Tipo | Freio a disco hidráulico de gravidade |
| Pistões por pinça | 4 |
| Fluido | DOT, incompatível com sistemas de óleo mineral |
| Plataforma | Derivada da linha Code da SRAM |
| Fixação da pinça | Post mount, adaptador conforme o disco |
| Discos recomendados | 180mm e 203mm, respeitando o limite do garfo |
| Manutenção | Sangria periódica obrigatória pela natureza higroscópica do DOT |
| Conteúdo típico do anúncio | Confira se é por roda ou par antes de comprar |
| Uso indicado | Enduro, descida de serra, ciclista pesado, bicicleta carregada |

DXU-16 Kit Freio a Disco Hidráulico para Bicicleta MTB
A Absolute é hoje uma das marcas nacionais com melhor distribuição no ciclismo brasileiro, e o DXU-16 é a aposta dela no hidráulico acessível. O kit costuma vir mais completo que a média: pinças, manetes, mangueiras e, dependendo do anúncio, os discos e adaptadores, o que muda bastante a conta final em relação a comprar um freio que exige rotor à parte.
O argumento de compra dele é aritmético, e hoje ele ficou ainda mais forte. Na ficha que conferimos, o kit está entre R$ 221,99 e R$ 254,79. Um par de MT200 sai por bem mais que isso só nas pinças e manetes, sem contar os dois rotores e os adaptadores. E a diferença de desempenho entre um hidráulico de 2 pistões de entrada e outro não é grande, porque ambos operam muito abaixo do limite térmico no uso urbano e de trilha leve. Se o objetivo é tirar a bicicleta do freio mecânico e entrar no hidráulico gastando o mínimo defensável, com uma marca que tem assistência no país e peça de reposição disponível, este kit resolve.
Os contras são de dois tipos, e nenhum é escondido. O primeiro é que a rede de suporte técnico e a padronização de peças da Absolute, embora boas para uma marca nacional, não chegam perto do ecossistema Shimano: pastilha, pistão e kit de reparo do MT200 se acham em qualquer cidade, e os do DXU-16 nem sempre. O segundo é a variação de conteúdo entre anúncios, que é a maior armadilha deste produto. O mesmo nome aparece vendido como par completo com discos, como par sem discos e às vezes como unidade avulsa, com diferenças de preço que confundem. Leia a descrição inteira e confirme quantas pinças, quantos manetes e quantos rotores estão inclusos antes de finalizar. E, como todo hidráulico que não sai lacrado de fábrica, existe a chance de precisar de sangria já na instalação, o que anula parte da economia se você tiver que pagar a bicicletaria.
Pontos fortes
- Costuma vir mais completo que a média, com pinças, manetes e frequentemente discos
- Entrada mais barata no hidráulico com marca nacional que tem distribuição real
- Sai em conta contra montar um par de hidráulico de entrada somando rotores e adaptadores
- Ganho de modulação e de leveza de dedo idêntico ao de qualquer hidráulico de 2 pistões
Pontos de atenção
- Conteúdo varia muito entre anúncios, confirme pinças, manetes e discos na descrição
- Reposição e kit de reparo são menos universais que os da Shimano
- Pode exigir sangria já na instalação, custo que anula parte da economia
| Tipo | Freio a disco hidráulico |
| Pistões por pinça | 2 |
| Fluido | Óleo mineral, confira a especificação no reservatório |
| Conteúdo | Varia por anúncio, geralmente par de pinças e manetes, discos às vezes inclusos |
| Fixação da pinça | Post mount, confira se o seu quadro é IS e precisa de adaptador |
| Discos | 160mm na configuração usual |
| Requisito | Cubos com fixação de disco de 6 furos ou center lock |
| Uso indicado | Urbano e trilha leve, primeira migração para hidráulico |

M2 Par de Freio Hidráulico para Bicicleta
O M2 da GTS é o par hidráulico mais barato desta lista que ainda dá para defender, e ele existe aqui para atender um público específico e numeroso: quem tem bicicleta de entrada, freio mecânico ruim, e um orçamento que não alcança um par de MT200. Vem como par, dianteiro e traseiro, com pinças e manetes, o que já resolve a bicicleta inteira numa compra só. Na ficha que conferimos hoje, os anúncios ativos vão de R$ 119,13 a R$ 199,00, ou seja, o par inteiro custa menos do que uma única roda de MT200. É uma diferença grande o bastante para mudar a decisão de muita gente, e por isso vale ler os contras logo abaixo com atenção redobrada.
O que ele entrega de verdade é o princípio do hidráulico, e o princípio sozinho já é um salto grande. Fluido incompressível no lugar de cabo significa menos força de dedo, modulação mais previsível e autoajuste conforme a pastilha desgasta. Comparado a um freio mecânico genérico de bicicleta de entrada, com cabo já enferrujado dentro da capa, a diferença é perceptível no primeiro quarteirão. Para uso urbano, ciclovia e passeio de fim de semana, esse freio faz o trabalho.
Agora a parte honesta, e ela é o motivo de ele não levar selo nenhum. A tolerância de fabricação nesta faixa de preço é maior, e isso aparece de formas concretas nas avaliações de compradores: pinça que exige mais paciência para alinhar, acabamento de manete mais simples, e um índice de unidades que chegam precisando de sangria maior do que o de um produto que sai lacrado de fábrica. Some a isso o item que mais importa a longo prazo: reposição. Quando a pastilha acabar ou um pistão emperrar, encontrar a peça exata de um freio de marca nacional de entrada é mais difícil e mais demorado do que encontrar peça de Shimano, e em alguns casos sai mais barato trocar o freio inteiro do que consertar. Compre entendendo que é um freio de vida útil mais curta, não uma barganha eterna.
Pontos fortes
- Par completo, dianteiro e traseiro, resolve a bicicleta inteira pelo menor preço entre os hidráulicos da lista
- Entrega o princípio do hidráulico: menos força de dedo, modulação e autoajuste
- Salto claro em relação ao freio mecânico genérico de bicicleta de entrada
- Marca com presença ampla no varejo popular brasileiro
Pontos de atenção
- Tolerância de fabricação maior, alinhamento da pinça costuma dar mais trabalho
- Índice relevante de unidades que chegam precisando de sangria na instalação
- Reposição de pastilha e de peça interna é mais difícil que a de Shimano
| Tipo | Freio a disco hidráulico de entrada |
| Conteúdo | Par, dianteiro e traseiro, com pinças e manetes |
| Pistões por pinça | 2 |
| Fluido | Óleo mineral, confira a especificação antes de qualquer sangria |
| Discos | Verifique se o anúncio inclui os rotores, muitos não incluem |
| Fixação da pinça | Post mount |
| Requisito | Cubos com fixação de disco de 6 furos ou center lock |
| Uso indicado | Urbano, ciclovia e passeio, orçamento apertado |
Kit Freio a Disco Mecânico para Bike com Discos de 160mm
Existe uma faixa enorme de ciclistas para quem o hidráulico não é a resposta certa, e vale dizer isso com todas as letras num guia que escolheu um hidráulico como destaque. O kit mecânico da Absolute é um conjunto completo, com as duas pinças, os dois discos de 160mm, adaptadores e a ferragem de fixação, projetado para converter uma bicicleta de V-brake em freio a disco, ou para repor um conjunto mecânico gasto sem entrar no mundo do fluido.
O argumento a favor do mecânico é de manutenção, não de desempenho. Ele usa cabo e capa, exatamente como o câmbio, e isso significa que qualquer bicicletaria do interior resolve, que a peça de reposição custa dez reais, que não existe sangria, que não existe fluido para vazar e que uma pancada na pinça não deixa você sem freio no meio do nada. Em cicloturismo longe de cidade grande, esse ponto sozinho já justifica a escolha. E a Absolute é uma das marcas nacionais com distribuição mais capilarizada, o que faz diferença no dia em que você precisar de um adaptador específico.
Seja realista sobre o que ele não faz. A pinça mecânica desta faixa costuma ter um único pistão móvel: uma pastilha avança e empurra o disco contra a outra, que é fixa. Isso significa que o disco flexiona levemente a cada frenagem, que o alinhamento é mais crítico e que o ruído é mais provável. Significa também que, conforme a pastilha desgasta, você precisa reajustar o cabo, senão o manete vai chegando cada vez mais perto do guidão. Some o atrito do cabo, e você tem um freio que exige mais força de mão para o mesmo resultado. Numa parada de emergência isolada isso é irrelevante. Numa descida de três quilômetros, com o dedo modulando o tempo todo, é a diferença entre chegar embaixo confiante e chegar com a mão travando.
Pontos fortes
- Kit completo com pinças, discos de 160mm e adaptadores, resolve a bicicleta inteira
- Manutenção simples com cabo e capa, qualquer bicicletaria atende e a peça é barata
- Sem sangria, sem fluido e sem risco de ficar sem freio por vazamento em viagem
- Marca nacional com boa distribuição, fácil achar adaptador e reposição
- Caminho mais barato para tirar uma bicicleta do V-brake e colocar em disco
Pontos de atenção
- Pinça de pistão único: uma pastilha é fixa, o alinhamento fica mais crítico e chia mais
- Exige reajuste periódico do cabo conforme a pastilha desgasta
- Pede mais força de mão, e isso pesa em descida longa com a mão já cansada
| Tipo | Freio a disco mecânico (acionamento por cabo) |
| Conteúdo típico | 2 pinças, 2 discos de 160mm, adaptadores e parafusos |
| Acionamento | Cabo e capa convencionais de freio |
| Pistão | Geralmente 1 móvel e 1 pastilha fixa |
| Disco | 160mm, 6 parafusos |
| Fixação da pinça | Confira se o seu quadro e garfo são IS ou post mount |
| Requisito | Cubos com fixação de disco de 6 furos ou center lock com adaptador |
| Manutenção | Sem sangria, ajuste por cabo |
| Uso indicado | Conversão de V-brake, cicloturismo, quem prioriza manutenção simples |

Kit Freio Disco Mecânico Pinça Disco 160 para Bike Aro 26 e 29
Este é o piso desta lista, e ele está aqui com um propósito claro: dar uma opção honesta para quem tem uma bicicleta de entrada, com V-brake gasto ou com um freio a disco genérico que nunca funcionou direito, e um orçamento de algumas dezenas de reais. O kit traz pinça, disco de 160mm e a ferragem de instalação, para uma roda, compatível com aro 26 e 29, e a GTS é uma das marcas mais presentes no varejo popular brasileiro.
Um aviso de transparência antes de qualquer coisa, porque ele muda o que você deve esperar do link. Na conferência de 06/08/2026, a ficha de catálogo da versão GTS deste kit, de pinça com disco de 160mm, estava sem nenhum anúncio ativo. E a outra ficha GTS que este guia vinha carregando não era deste produto: era de um kit de reposição, só cabo e pastilhas, que é outra coisa e por isso aparecia por R$ 24,99. Nada disso quer dizer que o kit acabou, e não vamos afirmar que acabou: a busca do Mercado Livre é ordenada por relevância e não serve de censo. Quer dizer apenas que, naquele momento, não encontramos ninguém vendendo o kit de pinça e disco da GTS por ficha de catálogo. Por isso o link aqui aponta para uma busca, e não para uma ficha fixa. A faixa de preço abaixo é a dos kits mecânicos equivalentes que encontramos ativos na mesma conferência, de pinça com rotor de 160mm, e não um preço da GTS especificamente: eles iam de R$ 31 a R$ 99,98, com a grande maioria dos anúncios entre R$ 31 e R$ 50. Confira marca, conteúdo e valor no anúncio antes de fechar.
O ganho real de comprar isso não é performance, é consistência na chuva. É a diferença mais subestimada entre V-brake e disco, e vale entender o mecanismo. O V-brake atua no aro, que é uma superfície grande, exposta, que recolhe toda a água e toda a lama que a roda joga para cima. Com o aro molhado existe um intervalo real de um a dois segundos em que você aperta o manete e nada acontece, enquanto a sapata seca a pista. Numa descida molhada esses dois segundos são muitos metros. O disco fica no centro da roda, é pequeno, gira rápido, expulsa água por força centrífuga e a pastilha limpa o que sobra quase instantaneamente. Um freio a disco mecânico barato, na chuva, é mais seguro que um V-brake bom. Essa é a compra que este kit representa.
Os contras são os do mecânico simples, amplificados pelo preço. A pinça é de pistão único, o disco é de aço comum e mais fino, a tolerância de fabricação é maior, e por isso o alinhamento dá mais trabalho e o chiado é mais frequente, sobretudo nos primeiros quilômetros antes do assentamento das pastilhas. A pastilha que vem de série costuma ser o item mais fraco do conjunto, e trocá-la por uma de marca melhora bastante o resultado por pouco dinheiro. Não compre este kit imaginando pegada de hidráulico. Compre entendendo que ele te tira do V-brake molhado, e nessa missão ele cumpre.
Pontos fortes
- Entrada mais barata para sair do V-brake e ter freio a disco
- Ganho grande e imediato de frenagem na chuva em relação ao freio de aro
- Compatível com aro 26 e 29, e a marca é fácil de achar no varejo popular
- Manutenção elementar por cabo, sem sangria e sem ferramenta especial
Pontos de atenção
- Na conferência de 06/08/2026 a ficha da versão GTS de pinça e disco estava sem anúncio ativo, o link vai para busca
- É kit de uma roda: a bicicleta inteira precisa de dois, e a conta dobra
- Pastilha de série é o ponto fraco, vale trocar por uma de marca melhor
- Alinhamento mais trabalhoso e chiado mais provável que em kits superiores
- Disco de aço mais fino e simples, esquenta antes e empena mais fácil
| Tipo | Freio a disco mecânico de entrada |
| Disco | 160mm, 6 parafusos |
| Acionamento | Cabo e capa |
| Compatibilidade de aro | 26 e 29 |
| Pistão | 1 móvel, pastilha oposta fixa |
| Requisito | Quadro, garfo e cubos com fixação para disco |
| Manutenção | Ajuste por cabo, sem sangria |
| Conteúdo | Kit de uma roda: 1 pinça, 1 disco de 160mm e ferragem |
| Uso indicado | Bicicleta de entrada, uso urbano leve, primeira conversão para disco |
Como escolher freio para bicicleta
Mecânico ou hidráulico: a diferença real não é força
Este é o raciocínio central deste guia, e ele contraria o que a maioria dos anúncios diz.
Um freio a disco mecânico bem regulado, com cabo novo, capa em bom estado e disco limpo, trava a roda. Travar a roda é o teto físico absoluto de qualquer sistema de freio de bicicleta, porque a partir dali quem manda é o atrito do pneu com o chão, não o freio. Ou seja: na comparação de força máxima, mecânico e hidráulico empatam. Quem promete o contrário está vendendo.
A diferença real está em três lugares.
Modulação. O fluido do hidráulico é praticamente incompressível, então quase tudo o que o dedo faz vira pressão na pastilha, de forma linear e imediata. Isso cria uma faixa larga e previsível entre o ponto em que a pastilha encosta e o ponto em que a roda trava, e é dentro dessa faixa que você pilota numa descida técnica. No mecânico, o cabo estica sob carga e a capa comprime, então parte do curso do manete é consumida por elasticidade antes de qualquer coisa acontecer. O resultado é um freio mais binário: você sente pouco, sente pouco, e de repente travou.
Constância com a mão cansada. Este é o ponto que quase nenhum guia menciona e que é o que mais importa na vida real. Uma frenagem de emergência isolada, qualquer freio faz. O cenário que separa os sistemas é a descida longa, aquela de vários quilômetros em que você fica modulando o freio o tempo todo. No mecânico, o atrito interno do cabo trabalha contra você em cada aperto, a força exigida do dedo é maior desde o começo, e a mão vai acumulando fadiga. No quilômetro final da descida, com o antebraço queimando, o mecânico exige exatamente aquilo que você já não tem. O hidráulico faz o mesmo trabalho com uma fração da força de dedo, e faz isso do mesmo jeito no primeiro e no último quilômetro. Não é sobre potência de pico, é sobre quanto custa manter a potência ao longo do tempo.
Autoajuste. Os pistões do hidráulico avançam sozinhos conforme a pastilha desgasta, então o ponto de pegada do manete continua no mesmo lugar por meses. No mecânico, a pastilha desgasta e o manete vai chegando cada vez mais perto do guidão até você reajustar o cabo. É manutenção simples, mas é manutenção recorrente.
Quando o mecânico ainda é a escolha certa: cicloturismo longe de assistência técnica, bicicleta de entrada em que o freio custaria uma fatia grande do valor dela, e quem faz a própria manutenção e não quer sistema fechado. Cabo e capa se resolvem em qualquer cidade do Brasil, com peça de dez reais.
Por que o hidráulico de entrada já entrega quase tudo
O MT200 custa uma fração do que custa um Deore ou um XT, e a pergunta óbvia é onde está a diferença. A resposta honesta desmonta boa parte do marketing: em força de frenagem, quase não há diferença. Todos travam a roda, todos têm modulação hidráulica, todos autoajustam.
A diferença de verdade está em dois lugares específicos.
O primeiro é calor. Freio transforma energia cinética em calor, e um freio que satura termicamente perde pegada de forma progressiva: o manete afunda, a mordida some. Os modelos intermediários e de topo atacam esse problema com pastilha de aleta de refrigeração e rotores de núcleo de alumínio, que espalham o calor antes que ele se acumule. Se o seu uso é urbano ou trilha curta, você nunca chega perto desse limite e está pagando por seguro que não vai usar.
O segundo é número de pistões. As linhas de entrada usam 2 pistões; enduro e downhill usam 4, como o SRAM DB8 desta lista. Quatro pistões distribuem a pressão em uma pastilha maior, aumentando a área de contato e, de novo, a capacidade térmica. Faz diferença para ciclista pesado, bicicleta carregada e descida sustentada. Não faz diferença nenhuma para ir ao trabalho.
A consequência prática de compra é direta e economiza dinheiro: compre o hidráulico de entrada e invista a diferença em rotor maior e em pastilha boa, que é exatamente o assunto da próxima seção.
O upgrade que rende mais que trocar de freio: disco e pastilha
Esta seção provavelmente vale mais que a lista de produtos, e ela existe porque a pergunta "qual freio comprar" é, com frequência, a pergunta errada. Se você já tem um freio a disco funcional, hidráulico ou mecânico, trocar o rotor e a pastilha entrega mais resultado por real gasto do que trocar o conjunto de freio.
Por que o diâmetro do disco importa tanto. O torque de frenagem é a força que a pastilha aplica multiplicada pela distância dela até o centro da roda. Trocar o rotor muda essa distância diretamente. De 160mm para 180mm o raio cresce 12,5%, e você ganha aproximadamente essa proporção de torque para exatamente a mesma força de dedo. De 160mm para 203mm o ganho passa de 25%. Um disco maior não é enfeite: é um multiplicador direto da força da sua mão. E vem com um bônus térmico, que em descida longa é o que realmente importa: mais massa de aço e mais área de superfície significam mais calor absorvido antes da saturação.
Como escolher o diâmetro:
- 160mm nas duas rodas: urbano, terreno plano, ciclista leve, bicicleta de passeio.
- 180mm na dianteira e 160mm na traseira: o ponto ótimo para a maioria dos ciclistas brasileiros que fazem trilha, ladeira de bairro ou serra. É a mudança de melhor retorno de todas.
- 203mm na dianteira: enduro, downhill, ciclista pesado, bicicleta carregada, descida sustentada de verdade.
Por que a traseira costuma ser menor: sob frenagem o peso transfere para a frente, e a roda dianteira responde por algo em torno de 70% da capacidade real de parar a bicicleta. A traseira alivia, tende a deslizar e não precisa do mesmo torque. É também por isso que, se o orçamento só permite melhorar um freio, o dinheiro deve ir para a dianteira.
Duas ressalvas obrigatórias antes de comprar rotor maior. Ele exige adaptador de pinça, uma peça que reposiciona a pinça para fora e que precisa corresponder exatamente ao par de diâmetros, custando algo entre R$ 40 e R$ 80. E garfo e quadro têm limite máximo declarado de rotor, tipicamente 180mm em garfos de entrada. Ultrapassar esse limite carrega o suporte com um torque para o qual ele não foi dimensionado. Isso não é excesso de zelo, é integridade estrutural.
A construção do rotor também conta. Rotores comuns são chapa única de aço inoxidável, com 1,8mm de espessura. Existem duas evoluções que valem o dinheiro em uso pesado. A primeira são rotores mais espessos, de 2mm, como a linha Storm HC da Magura, mais rígidos e com mais massa térmica. A segunda são os rotores de núcleo de alumínio, como a linha Ice Tech da Shimano, em que o RT70 é a referência acessível: são um sanduíche de duas faces de aço com miolo de alumínio, material que conduz calor várias vezes melhor e espalha o aquecimento para fora da pista de frenagem. Colocar um rotor desses num hidráulico de entrada compra boa parte do que um freio intermediário entregaria, por uma fração do preço. Atenção só ao padrão de fixação: rotor existe em 6 furos e em center lock, e eles não são intercambiáveis sem adaptador.
A pastilha é o item mais barato e mais decisivo. É a única peça que encosta no disco, é ela que define o atrito, o ruído e a durabilidade do rotor, e é o único item de desgaste rápido do sistema. A escolha do composto não tem vencedor absoluto, tem contexto:
- Orgânica (resina), como as pastilhas da linha M70 da Shimano: morde forte já a frio, sem precisar aquecer, é bem mais silenciosa e desgasta bem menos o disco. Em troca dura menos, sofre na lama e satura com calor em descida longa. É a escolha certa para uso urbano, misto e trilha leve, que é o uso da maioria.
- Metálica (sinterizada): aguenta calor e lama muito melhor e dura bem mais, mas precisa de temperatura para render, chia mais, transmite mais calor ao fluido e come o disco mais rápido. É a escolha para serra, lama pesada e ciclista mais pesado.
- Semimetálica: o meio-termo honesto para quem alterna cidade e trilha.
Dois cuidados valem mais que a escolha do composto. O assentamento: pastilha nova precisa de cerca de vinte frenagens progressivas, de velocidade média até quase parar, sem travar a roda, para transferir uma camada uniforme de material ao disco. Pular isso é a causa número um de freio novo fraco e barulhento. E a contaminação: nunca toque a face da pastilha com o dedo, e nunca use desengraxante, WD-40 ou lubrificante de corrente perto do disco. Óleo penetra no composto e não sai. Pastilha contaminada não se limpa, se troca, e o disco precisa ser lavado com álcool isopropílico.
Padrão de fixação: onde a compra dá errado
Esta seção existe porque é o erro mais caro e mais comum, e ele acontece antes de qualquer discussão sobre marca.
Freio a disco exige três coisas na bicicleta, e as três precisam existir antes da compra.
- Suporte de pinça no garfo (para a dianteira) e no quadro, na base traseira esquerda. Se não existe, não há kit, adaptador ou improviso que resolva com segurança. Bicicleta com V-brake e sem esses suportes simplesmente não recebe freio a disco.
- Cubos com fixação para disco. Podem ser de 6 furos (6 bolts), o padrão mais comum, em que o rotor parafusa em seis pontos, ou center lock, da Shimano, em que o rotor encaixa em estrias e trava com um anel rosqueado. Não são intercambiáveis diretamente: existe adaptador de center lock para 6 furos, mas não o contrário. Roda de V-brake não tem nem um nem outro.
- Padrão de suporte compatível. Os dois formatos são IS (International Standard), com dois furos perpendiculares ao disco, e post mount, com dois furos paralelos, em que a pinça parafusa direto. A imensa maioria das pinças modernas é post mount, e adaptadores de IS para post mount são baratos e comuns. Só é preciso saber qual você tem antes de comprar.
O checklist antes de fechar a compra: olhe o garfo, olhe a base traseira, olhe o cubo das duas rodas, meça o diâmetro do disco que já está lá e confira o limite máximo de rotor declarado pelo fabricante do garfo. Cinco minutos aqui evitam a devolução mais frustrante do ciclismo.
Fluido: óleo mineral ou DOT
Um detalhe que separa marcas e que causa prejuízo irreversível quando ignorado.
Óleo mineral é o que Shimano e Magura usam, e o que a maioria dos kits nacionais adota. Não é higroscópico, ou seja, não absorve umidade do ar, o que significa intervalos de sangria mais longos. Não ataca pintura e é bem menos agressivo no manuseio.
DOT, usado pela SRAM e por outras marcas, tem ponto de ebulição mais alto quando novo, o que ajuda em uso severo, mas absorve umidade com o tempo. Umidade no circuito derruba o ponto de ebulição e leva ao fenômeno que assusta em descida longa: o fluido ferve, forma bolha de vapor, e vapor é compressível, então o manete afunda e a pegada some. Por isso freio DOT pede sangria de calendário, e não só por sintoma.
A regra inegociável: nunca misture os dois. O fluido errado destrói as vedações internas e inutiliza o freio, sem reversão possível por lavagem. Confira a especificação impressa no reservatório do manete antes de abrir qualquer coisa.
Manete e alavanca: a compatibilidade que passa despercebida
Freio hidráulico é um sistema fechado: o manete faz parte do freio e vem com ele. Você não usa manete de V-brake com pinça hidráulica, em hipótese alguma.
No mecânico a armadilha é mais sutil e derruba gente experiente. Manetes têm relação de puxada diferentes, ou seja, a quantidade de cabo que recolhem por curso. Manete de V-brake puxa bastante cabo por curso; manete de freio a disco mecânico de MTB costuma puxar menos. Combinar o manete errado com a pinça produz um freio que parece mole e sem fim de curso, ou duro e sem modulação, sem que nada esteja quebrado. Se o kit mecânico já vem com manetes, use os que vieram. Se você está aproveitando os manetes da bicicleta, confirme que eles são de disco mecânico.
Detalhes que valem no dia a dia: manete com ajuste de alcance (reach adjust) aproxima a alavanca do guidão e faz muita diferença para mão pequena, que é o público mais prejudicado por freio duro. E freio a disco de bicicleta de estrada com manete integrado de câmbio é outro universo de compatibilidade, com padrão flat mount, que não conversa com o material MTB desta lista.
Perguntas frequentes sobre freio para bicicleta
Vale a pena trocar freio mecânico por hidráulico?
Na maioria dos casos vale, mas pelo motivo certo, e o motivo certo não é potência.
Um freio a disco mecânico bem regulado trava a roda. Travar a roda é o teto de qualquer freio, então em força máxima os dois empatam. O que o hidráulico entrega a mais é modulação (uma faixa larga e previsível entre encostar e travar, em vez de um freio quase binário), menos força de dedo para o mesmo resultado, constância (não muda de comportamento com chuva, sujeira ou cabo desgastado) e autoajuste dos pistões conforme a pastilha desgasta.
O cenário em que a diferença fica gritante é a descida longa. Numa frenagem isolada, qualquer freio serve. Em três quilômetros de descida modulando o tempo todo, o mecânico vai exigindo cada vez mais de uma mão que já está cansada, porque o atrito do cabo trabalha contra você em cada aperto. O hidráulico faz o mesmo trabalho com uma fração do esforço, do primeiro ao último quilômetro.
Quando não vale: se você faz cicloturismo longe de assistência técnica, se a bicicleta é de entrada e o freio custaria uma fatia grande do valor dela, ou se você prioriza manutenção que qualquer bicicletaria resolve com peça de dez reais. Nesses casos o mecânico continua sendo uma escolha racional.
E se o orçamento for curto, existem dois caminhos que rendem muito. Trocar só o freio dianteiro, que responde por cerca de 70% da frenagem real. Ou, se o freio atual funciona, gastar o dinheiro num rotor de 180mm e numa pastilha melhor, o que costuma render mais que um freio novo.
Posso colocar freio a disco em quadro que não tem suporte?
Não com segurança, e esta é a resposta que evita o prejuízo mais comum do ciclismo brasileiro.
Freio a disco precisa de três coisas na bicicleta, e as três têm que existir de fábrica. Suporte de pinça no garfo, para a dianteira, e na base traseira do quadro. Cubos com fixação para o rotor, seja de 6 furos ou center lock. E rodas montadas com esses cubos. Se o seu garfo não tem os furos de fixação da pinça e o seu cubo não tem onde parafusar o disco, o kit mais barato do mercado continua não servindo na sua bicicleta.
Existem adaptadores vendidos como solução, tipo braçadeira que prende a pinça no garfo. Não use. O freio a disco aplica um torque enorme e concentrado num ponto que o garfo de V-brake não foi projetado para receber, e a falha, quando acontece, acontece durante a frenagem, que é o pior momento possível. Não é conservadorismo, é estrutura.
O que existe de legítimo são adaptadores entre padrões que já existem: de IS para post mount na fixação da pinça, de center lock para 6 furos no cubo, e de diâmetro de rotor. Esses são peças de projeto, baratas e seguras.
Se a sua bicicleta não tem fixação para disco, o caminho realista é trocar garfo e rodas, o que costuma custar mais que a diferença para uma bicicleta que já venha com disco, ou investir num V-brake de qualidade com sapatas boas, que funciona melhor do que a fama sugere no seco.
Com que frequência preciso sangrar o freio hidráulico?
Depende do fluido, e essa é a parte que quase ninguém explica.
Em freios de óleo mineral, como Shimano, Magura e a maioria dos kits nacionais, o óleo não absorve umidade do ar, então o intervalo é longo: uma sangria a cada 12 a 24 meses cobre bem o uso urbano e de trilha leve, e muita gente passa disso sem sintoma nenhum.
Em freios de DOT, como o SRAM DB8, o fluido é higroscópico e absorve umidade com o tempo. Umidade derruba o ponto de ebulição, e é isso que produz o susto de descida longa: o fluido ferve, forma bolha de vapor, vapor é compressível e o manete afunda. Nesse caso a sangria vira manutenção de calendário, tipicamente anual, e não só por sintoma.
Independente do fluido, sangre quando aparecer qualquer um destes sinais: o manete afunda mais que o normal antes de pegar, o manete encosta no guidão, a pegada ficou esponjosa em vez de firme, ou o desempenho piora visivelmente depois de uma sequência de frenagens fortes.
Um ponto de segurança inegociável: nunca misture os fluidos. Colocar DOT num sistema de óleo mineral, ou o contrário, destrói as vedações internas e inutiliza o freio, sem reversão por lavagem. Confira a especificação impressa no reservatório antes de abrir qualquer coisa.
E se você acabou de comprar um freio pré-sangrado de fábrica, como o MT200, não precisa sangrar na instalação. Só perde essa vantagem quem corta a mangueira para encurtar. Se precisar encurtar, considere pagar a bicicletaria para fazer o corte e a sangria juntos: o kit de purga e o fluido saem por um valor próximo ao do serviço se você for usá-los uma vez só.
Pastilha orgânica ou metálica: qual é melhor?
Nenhuma é melhor em absoluto. A escolha depende do uso, e a regra prática resolve quase todo caso.
Orgânica (resina) para uso urbano, misto e trilha leve. Ela morde forte já a frio, sem precisar aquecer, é bem mais silenciosa e desgasta menos o disco. Em troca dura menos, sofre na lama e na chuva, e satura com calor em descida longa e contínua.
Metálica (sinterizada) para serra, descida longa, lama pesada e ciclista mais pesado. Aguenta calor muito melhor, dura bem mais e não some na lama. Em troca, precisa de temperatura para render bem (as primeiras frenagens do dia são mais fracas), chia bem mais, transmite mais calor para o fluido e come o disco mais rápido.
Semimetálica é o meio-termo honesto para quem alterna cidade e trilha.
Dois cuidados que valem mais que o composto escolhido. Primeiro, o assentamento: pastilha nova pede cerca de vinte frenagens progressivas, de velocidade média até quase parar, sem travar a roda, antes de qualquer uso forte. Isso transfere uma camada uniforme ao disco e é o que faz a pastilha render o que promete. Segundo, a contaminação: nunca encoste o dedo na face da pastilha, e nunca aproxime WD-40, desengraxante ou lubrificante de corrente do disco. Óleo entra no composto e não sai. Pastilha contaminada não se limpa, se troca, e o disco precisa ser lavado com álcool isopropílico.
E confira o código de compatibilidade antes de comprar. Pastilha é específica por modelo de pinça, e o formato errado simplesmente não encaixa.
Por que meu freio a disco range e chia, e como resolver?
Chiado tem quatro causas prováveis, e vale checar nesta ordem porque as primeiras são as mais comuns e as mais baratas.
1. Pastilha nova sem assentamento. É a causa mais frequente de todas. Pastilha e disco novos ainda não trocaram material, e o resultado é ruído com pegada fraca. Faça cerca de vinte frenagens progressivas, de velocidade média até quase parar, sem travar a roda, com intervalos para esfriar. Na maioria dos casos o chiado some sozinho.
2. Pinça desalinhada. Se a pastilha raspa no disco o tempo todo, você ouve um ruído cíclico que acompanha a rotação da roda. A correção é simples: solte levemente os dois parafusos da pinça, aperte firme o manete e segure, e reaperte os parafusos em cruz com o manete ainda apertado. A pinça se autocentraliza. Se persistir, o disco pode estar levemente empenado, e endireitar exige uma chave própria e paciência.
3. Contaminação por óleo ou gordura. Se o chiado é agudo, constante e veio junto com perda de força, provavelmente algo oleoso chegou ao disco: lubrificante de corrente que espirrou, WD-40, dedo na pastilha, ou fluido vazando. Lave o disco com álcool isopropílico e pano limpo. A pastilha, se contaminou, precisa ser trocada, porque o óleo penetra no composto e não sai.
4. Umidade e composto. Uma camada leve de óxido no disco depois de uma noite úmida faz o freio chiar nas primeiras frenagens e para em seguida, e isso é normal. Pastilha metálica também chia mais por natureza, especialmente a frio e no molhado. Se o ruído incomoda muito e o seu uso é urbano, trocar para composto orgânico costuma resolver.
Um sintoma diferente que exige atenção: se o freio arrasta (a roda não gira livre), o problema não é ruído, é pistão preso ou pinça mal alinhada. No hidráulico, pistão que não recolhe pede limpeza e, às vezes, sangria. No mecânico, quase sempre é ajuste de cabo ou cabo enferrujado dentro da capa.
Veredito: qual comprar
Se você quer uma decisão pronta, é esta.
Para a maioria dos ciclistas brasileiros, compre o BR-MT200 da Shimano. É hidráulico de verdade, vem pré-sangrado de fábrica, instala sem kit de purga e entrega a modulação e a leveza de dedo que o mecânico não entrega, com o melhor ecossistema de reposição do país. Só faça a conta certa: o preço anunciado costuma ser por roda, e a bicicleta inteira precisa de dois. Se o orçamento não cobre os dois, troque a dianteira primeiro, porque ela responde por cerca de 70% da frenagem real.
Se você desce serra de verdade, pesa acima da média ou pedala com bagagem, o SRAM DB8 é o único da lista que resolve o problema térmico com 4 pistões, desde que você aceite a manutenção de calendário que o fluido DOT exige. Se a prioridade é entrar no hidráulico gastando pouco, o Absolute DXU-16 costuma vir mais completo que a média e sai em conta, e o GTS M2 é o par mais barato que ainda dá para defender, com a ressalva honesta de que reposição de peça é o ponto fraco dele.
Se o mecânico faz mais sentido para você, e ele faz para muita gente, o Kit Absolute de 160mm é o melhor equilíbrio entre preço, qualidade e disponibilidade de reposição, e o Kit GTS é o piso honesto para tirar uma bicicleta de entrada do V-brake. Vale lembrar o ganho que justifica sozinho essa troca: freio a disco mecânico barato, na chuva, é mais seguro que V-brake bom, porque o disco não recolhe a água que o aro recolhe.
E guarde o raciocínio que provavelmente é o mais útil deste guia, porque ele pode economizar a compra inteira: se você já tem um freio a disco que funciona, antes de trocar a pinça considere trocar o disco e a pastilha. O torque de frenagem é a força da pastilha multiplicada pela distância dela até o centro da roda, então ir de 160mm para 180mm entrega cerca de 12% mais torque para exatamente a mesma força de dedo, e ainda dissipa mais calor. Um rotor maior na dianteira, com uma pastilha de composto adequado ao seu uso, custa uma fração de um freio novo e muda mais o resultado do que a maioria dos upgrades de pinça.
Duas coisas valem mais que a escolha do modelo. A primeira: confira a fixação antes de comprar. Suporte de pinça no garfo e no quadro, cubos de 6 furos ou center lock, e o diâmetro máximo de rotor declarado pelo fabricante do garfo. Kit de freio comprado sem essa conferência vira devolução. A segunda: assente a pastilha nova e mantenha óleo longe do disco. Vinte frenagens progressivas resolvem a maior parte das reclamações de freio novo fraco e barulhento, e uma gota de lubrificante de corrente no rotor estraga um jogo de pastilha que você acabou de pagar.
Freio bom não é o que trava a roda com mais violência. É o que faz você chegar embaixo da descida com a mão inteira e a cabeça tranquila.
Ver a nossa escolha: BR-MT200 Freio a Disco Hidráulico a Óleo →
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